Entrevista

Eli Kattan, presidente da Afipol
    entrevista

    Sem queixas e com boas perspectivas

    O ano de 2016 certamente não ficará marcado na memória da maioria dos brasileiros como um período próspero. Com a atividade industrial em baixa e o desemprego em alta, muitos setores passaram (e ainda passam) por um momento difícil.

    Em meio a esse mar de dificuldades, contudo, há ilhas de boas notícias. A indústria de fibras poliolefínicas, mais conhecida por um de seus principais produtos, os sacos de ráfia, é uma dessas boas exceções, como revela Eli Kattan, presidente da Afipol - Associação Brasileira dos Produtores de Fibras Poliolefínicas, na entrevista abaixo.

    O ano que passou foi muito difícil para a indústria em geral, com queda na atividade econômica, baixa confiança por parte dos empresários e desemprego crescente. Além disso, no contexto internacional, percebeu-se um avanço de ideias protecionistas que resume a "tempestade perfeita" que atravessamos.

     

    Como foi o desempenho da indústria de fibras poliolefínicas?

    Podemos considerar que o nosso setor em 2016 foi uma exceção em relação ao que o Brasil passou. Em meio a todo esse cenário complicado, de crise, tivemos um ano positivo, impulsionado pelo desempenho de setores da economia que são importantes consumidores de nossos produtos.
     

    Quais são esses setores?
    Agroindústria, açúcar, ração e farinha são os quatro principais setores atendidos por nossa indústria. Dois foram bem, e dois tiveram uma pequena queda, resultando em um ano favorável para nós.

    Houve um crescimento na indústria de fertilizantes, relacionado com o cenário positivo da agroindústria. No mercado de açúcar,o aumento dos preços do produto nos mercados internacionais e a queda na produção na Índia nos deram um bom impulso. Mas houve uma pequena retração nos setores de farinha e ração que nos impactou negativamente.


    O que esperar de 2017?

    Neste ano, nossas expectativas são muito similares ao que vivemos no ano passado. Acreditamos que manteremos, no mínimo, o mesmo patamar de 2016, mas imaginamos que haverá crescimento, puxado novamente pela agroindústria. Acho que em farinha e ração essa pequena baixa do ano passado deve se estabilizar. Se cair, será pouco novamente. Vale registrar que o movimento  que está havendo na  migração do uso de sacaria para big bags de ráfia, que são embalagens para 1.200kg, está ajudando o nosso setor.

    Em suma,considerando os setores em conjunto, devemos crescer novamente em 2017.
     

    Sacaria de ráfia e contentores flexíveis são produtos importantes na indústria representada pela Afipol. Ambos, porém, são itens relativamente comoditizados. É possível encontrar maneiras para agregar valor a esses produtos? De que forma?

    Realmente são produtos comoditizados. Nossa briga, então, é pela qualidade, e pela busca de aplicações para a ráfia onde antes predominavam outros materiais. Hoje, a indústria de ráfia é muito similar no mundo inteiro. No Brasil, essa é uma indústria de ponta, com o que há de melhor em termos de tecnologia no mundo. Em muitos casos saímos até na frente. Obviamente, estamos sempre acompanhando os desenvolvimentos, modernizando e automatizando onde é possível.
     

    Como, em sua opinião, uma maior integração dos elos da cadeia produtiva auxiliaria o setor de fibras poliolefínicas a inovar?

    É o que a gente tem feito. Fornecedores de matéria-prima, de equipamentos e nós, da indústria de ráfia, temos buscado trabalhar em conjunto. Na área de resinas, por exemplo, nós estamos trabalhando continuamente para desenvolver sacos mais leves. Na de equipamentos, por sua vez, nós fizemos a troca dos sacos costurados por sacos soldados, o que agiliza a produçãoaumentando a produtividade. Esse é um esforço constante da Afipol para garantir a competitividade de seus associados.

     

     

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    TAGS: sacaria de ráfia, sacos de ráfia, ráfia, contentores flexíveis, embalagens de ráfia, Afipol, sacos soldados, sementes

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